Garotas que não servem pra ficar. Sorte do dia: Você é muito legal
Nesse último ano que passou eu descobri os dois lados da vida. O alternativo e o padrão. Só que no meu caso, eu vou pôr como os estranhos¹ e os surfistinhas² (lembrando que eu moro no Rio de Janeiro, né pessoal? O que não falta são surfistinhas!). Disseram-me umas quinhentas vezes esse ano que eu era exagerada, estranha, bizarra, mais feia que fulaninho, mais retardada que cicrano e por aí vai. Eu não vou dizer para vocês que eu não me magoei, me magoei bastante, até. É difícil você ser vista como algo ‘bizarro’ diante da sociedade. Eu sempre fui gordinha, idiota e (minha mãe sempre diz o contrário, mas mãe é mãe, né) eu nunca fui das mais bonitinhas. Nem do meu grupo de amigas, nem na sala de aula, nem em lugar algum, eu sempre fui ‘a gordinha estranha’. Teve uma época que eu desencanei com isso, até aparecer o que é hoje a minha melhor amiga. Vocês, com certeza, não têm a mínima noção do quanto eu amo (♥) essa garota. O problema é que, do lado dela, eu volto a ser a gorda, sem brilho próprio, sem ser eu, sabem? Ao decorrer do ano eu conheci várias pessoas ao lado dela, e eu cheguei a conclusão que eu não sou garota pra ficar. Não é nem que eu não goste ou coisa do gênero (se bem que realmente não é a minha praia sair ficando com qualquer um), o problema é que eu não era escolhida. Sei lá, toda garota quer se sentir desejada, não é? Eu sempre tive a feliz mania de me apaixonar somente pelas pessoas que gostavam de mim, mas isso não quer dizer que eu não tenha vontade de dar uns foras nessas criaturinhas insensíveis que são os homens. As pessoas (garotos, na maior parte das vezes) dizem que gostam de mim por eu ser divertida e tals, mas e aí? Eles saem bonitinhos em carreirinha pras minhas amigas com peitões, lábios grossos, belezas distintas e etc. Isso é claro, falando dos surfistinhas. Agora vamos à parte que eu mais gosto; O mundo alternativo eu conheço em lugares como internet, eventos de anime e música japonesa, shows, nerds adoradores de rpg’s e festas de pessoas amantes de yaoi³ (vide, beckys <3). Quanto a esses, é só alegria. Eles costumam ser mais lerdinhos, quererem mais tempo para saber se estão realmente apaixonados. Uns poucos gostam de pegar garotas, mas a maioria é fofa e extravagante. Eu me sinto bem quando um desses resolve se apaixonar por mim, só pelo fato de manter meus pensamentos ocupados pensando em como dizer sutilmente que não gosto deles do mesmo modo que eles gostam de mim, coisa no que no mundo surfistinha não existe. É nessas horas, pensando nessas lindas criaturinhas que me cercam, que eu me sinto bem em ser a gordinha excluída e mais feia que fulaninho, quem se importa, sabe? Eu estou tentando (arduamente, se querem saber) aprender a gostar de mim mesma e que assim só quem estará se beneficiando sou eu. Afinal, quem precisa de surfistinhas que vivem pegando qualquer uma quando se pode ter um garoto apaixonado, louco por você que não a trocaria por peitos ou barriga de tanquinho nenhuma?
É, eu literalmente não sou menina pra ficar.
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¹ Estranhos são as típicas pessoinhas que esse povão surfistinha² e tals não gosta. São, no meu caso, os otakus, j-rockers (visual kei), punks, indies, emos e outros. ² Surfistinhas são aquele pessoal que tem 700 e poucos amigos no orkut mas, amigo de verdade pra contar pra todas as horas, não têm. Costumam gostar de funk e coisas do gênero, hip hop e os meninos da ‘tribo’ são mais galinhas que sei lá o quê. São conhecidos também por não se apaixonarem facilmente. ³ Yaoi é o mangá/anime que tem relações homossexuais entre dois homens. Não precisa ser explícito, mas relação normal de namorados do mesmo sexo, masculino.
P.s.: Aconselho que vejam até o final (: Tô com essa música na cabeça a semana inteira. Pra acompanhar tem a letra aqui. ;*
Dia 9
“- Hahahaha! Ele mantinha seus olhos fixados no papel, tentando ler as letras miúdas com os seus óculos redondos sem tentar ligar para as risadas do resto da turma. Endireitou-se na cadeira e resolveu levantar os olhos para comentar uma coisa qualquer com os amigos, mas estes também estavam rindo. Mirou seus olhos na professora de pé, com os pensamentos fixos em como desligar o telão da sala de aula. Ele a cutucou; - Professora, você poderia me dizer se eu posso fazer o trabalho na próxima aula? É que estou com receio de qu... - Hahahaha! – Os risos continuavam insistentemente vindos de boa parte da turma, ele não sabia qual era o exato motivo, mas aquilo o estava irritando. - ...Estou com receio de que não dê para entregar nessa e eu pretend... - Hahahahaha! Foi o que bastou, ele virou-se com o rosto vermelho e lhes gritou com astúcia: - Calem a boca! - Hahahahahahahahah!! Os risos continuaram, agora as pessoas ficavam vermelhas como pimentões de tanto rir da ação do garoto. A graça não parava, os risos não cessavam. Aquilo tomava conta da sua cabeça aos poucos, suas fisionomias mudaram, seu corpo começou a tremer e ele se levantou bruscamente da carteira, deixando a mesma cair junto com seus livros e papéis. Pôs a mochila no ombro, escancarou a porta e saiu em passos largos, deixando alguns em estado de choque, outros rindo, outros até com olhos esbugalhados com medo da repercussão da ação do menino. Pura insanidade, de ambas as partes. Uma menina de calça jeans larga, tênis preto e uma blusa lilás com detalhes em branco levantou-se, pondo a franja para trás da orelha, e se encarregou de pegar os papéis que ele havia jogado no chão. Apanhou seu livro e o pôs em cima da mesa da carteira que antes era dele. Silêncio. A professora saiu atrás do menino, mas sem sucesso. Voltou três segundos depois quando seus olhos se voltaram para três garotos no canto: - Vocês não podem fazer isso com ele, magoa. - Eu fiquei com medo – um deles respondeu – Pensei que ele vinha pra cima de mim, professora. - Não, agora é sério, - começou o outro – ele tem algum problema mental, não é? Algum distúrbio. A gente nem tava rindo dele e ele se irritou! – mentiu. - Ele cansou, ele é zoado desde que entrou na sala. Deve ter explodido. Eu achei vacilo de parte de vocês. - Que nada, ele é doente.”
A história acima é real. Aconteceu no meu curso de inglês essa semana e foi algo que realmente me abalou. Eu sempre fui alguém fora do padrão, e agora com essa mania de emos piorou ainda mais a minha situação como sendo alguém diferente *quem conhece visual kei deve saber muito bem do que eu estou falando*, mas eu sempre pus as pessoas em seus devidos lugares. Vai haver sempre as pessoas estranhas, sempre as tímidas, as que não gostam de músicas como Darvin e Forfun, sempre haverá as que adoram computador, as que só se vestem de preto, as que são mais refinadas, afinal, somos todos diferentes. Agora, discriminar alguém por que ele é diferente é uma puta falta de maturidade. Os três garotos sempre encheram o saco do garoto sim, mas e a maturidade para admitir que eles enchiam o saco dele? Na hora de xingar e brincar, eles foram engraçados e gostosões, mas e na hora de dizer que os culpados foram eles? Que eles que fizeram o garoto ter essa reação? É claro que não, eles vão negar. Assim como negam tudo, menos as coisas que são necessárias para se tornarem ‘populares’. Terem amigos no Orkut, saírem para as ‘baladas’ nos finais de semana, pegar qualquer vadia que der mole para eles, aí sim, isso sim é legal, isso sim é original, isso sim é ser popular e isso sim é que é ser foda. Quer saber do que mais? Essa gente me cansa, esse mundo está me cansando, esse egoísmo me consome cada dia mais. Enoja-me dividir a mesma raça (humana) com um garoto inconseqüente como um destes. Enoja-me partilhar do mesmo ar de pessoas tão sujas e ingratas como aquelas. Afinal, o ser humano chegou aonde chegou pela sua sensibilidade, pela capacidade de poder se pôr no lugar do outro e sentir sua dor, poder ajudar, pensar no próximo, ser solidário, ser grato, ser humano.
Dia 2
Provavelmente você vá discordar dessa frase, até porque eu também discordaria se fosse há uns dois anos atrás. É certo de que nem sempre as dores podem ser curadas e deixam de ser sentidas, mas dores do coração, por exemplo, é de causa psicológica. Vira-se um costume você pensar em quem gosta que, na hora que tudo vai ‘por água abaixo’, a mania não consegue esvaziar sua mente. Então você dá a desculpa que o amava, que precisa e que dependente dele. E todas aquelas outras coisas que todo filme de romance americano mostra. A dor que mais dói talvez seja a saudade. Mas sabem de uma coisa? Saudade passa. Você aprende a conviver com quilômetros de diferença, aprende que você tem que esperar para tomar suas próprias decisões e sair de casa para finalmente vencer tudo aquilo que está entre vocês dois, enquanto isso, talvez doa, mas você vai superar. Tudo se supera. Você pode chorar, pode pedir para que ele venha ao seu encontro, pode implorar para que seus pais deixem-na passar um mês na casa do seu grande amor, mas a verdade é que vocês vivem em mundos diferentes, vocês tem rotinas diferentes e amigos diferentes. Seus hábitos são diferentes e vocês até mesmo andam diferente, a única coisa que têm em comum é um ao outro, por mais que ele possa ser a sua ‘alma-gêmea’. Quem sabe, daqui a alguns anos, você saiba do que eu estou falando e me dê a razão. Quem sabe você não se importe e comprove o contrário. Quem sabe você já saiba disso e está se reconhecendo totalmente com o texto, o que importa é que, se você optar por se machucar, a única dor que irá sentir é em você mesma. E talvez seja essa a dor que só se dói quando se quer doer.